Exposição de Filipenses 1:1-11

"graça e paz a vós outros, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo" (V. 2)


Introdução


Filipos era uma cidade que ficava na província romana da Macedônia, que hoje faz parte da Grécia. A igreja de Filipos foi a primeira a ser fundada na Europa pelo apostolo Paulo durante a sua segunda viagem missionária (At. 16:12-40).


Cerca de 10 anos após essa viagem, Paulo escreveu essa carta aos membros da igreja de Filipos de dentro da cadeia (1:7) durante a sua primeira prisão em Roma e um dos motivos dele escrever essa carta é o fato dele ter recebido ajudas generosas dos cristãos daquela cidade e também a sua preocupação com falsas doutrinas que vinham sendo ensinadas por lá.


Essa é uma carta que mostra o grande amor que ele tinha pelos filipenses e fala da confiança, da alegria, do amor cristão e da firmeza que devem ser qualidade dos seguidores de Jesus Cristo. Paulo encoraja que eles devem imitar o exemplo do próprio Cristo, que seguiu o caminho da humildade e da obediência a Deus, caminho esse que o levou à morte na cruz e à altíssima posição de Senhor de todos (2:5-11).


Filipos recebeu o seu nome em homenagem ao seu fundador Filipe II, pai de Alexandre o Grande, que atraído pelas minas de ouro conquistou essa região por volta do 4º século a.C. e somente no 2º século a.C. é que essa cidade se tornou uma província romana da Macedônia.


A cidade ficou no anonimato durante os próximos 2 séculos até que um dos mais famosos acontecimentos na história romana trouxe a ela reconhecimento e expansão. Em 42 a.C., os exércitos de Antônio e Otávio derrotaram os de Brutus e Cassius na batalha de Filipos, dando um fim na Republica Romana e prenunciando o Império. Depois dessa batalha, Filipos se tornou uma colônia romana (cf. At. 16:12) e muitos veteranos do exército romano se estabeleceram lá.


Filipos tinha, portanto, autonomia do governo provincial e os mesmos direitos que tinha as cidades na Itália, incluindo o uso da lei romana, isenção de alguns impostos e a cidadania romana para seus habitantes (At.16:21). Esse fato traz para seus habitantes um grande orgulho cívico que adotaram costumes romanos e governavam sua cidade segundo o modelo das cidades italianas.


Filipos tinha uma população muito pequena de judeus e por não haver homens judeus suficientes para formar uma sinagoga, algumas mulheres devotas se reuniam fora da cidade num lugar de oração ao longo do rio Gangites (At. 16:3). Vocês vão lembrar que Paulo pregou o evangelho pra essas mulheres e dentre elas havia uma comerciante rica que trabalhava com artigos caros tingidos de purpura, seu nome era Lídia (At. 16:14). É provável que no seu início a igreja de Filipos tenha se reunido em sua casa espaçosa.


Outro fato que é mencionado sobre Filipos é o inicio das oposições satânicas à nova igreja que vinha se formando, e uma jovem escrava endemoniada adivinhadora os seguiam dando testemunho, fato esse que Paulo não aprovou e expulsou o demônio dela (At. 16:18). Consequentemente os senhores dessa jovem não se alegraram nem um pouco com o prejuízo que tomaram, pois ela dava muito lucro e então levaram Paulo e Silas perante os pretores da cidade e inflamaram o orgulho cívico dos filipenses, alegando que os dois pregadores eram uma ameaça para os costumes romanos (At. 16:20-21). Como resultado, Paulo e Silas foram açoitados e presos (At. 16:22-24).


O que vem a seguir é outra história bem famosa, que narra o apostolo Paulo e Silas na prisão, cantando e orando ao Senhor, quando um terremoto milagrosamente os liberta e que encoraja o carcereiro a aceitar a Cristo juntamente com sua família (At. 15:25-34). Somente no dia seguinte é que os pretores descobrem que haviam açoitado e prendido ilegalmente dois cidadãos romanos e então imploram que Paulo e Silas saiam de Filipos.


Aparentemente, Paulo visitou Filipos duas vezes durante a sua terceira viagem missionária e cerca de 4 ou 5 anos após essa última, chegou ao conhecimento dos filipenses que Paulo estava preso, então decidem enviar a ele uma outra contribuição e, com ela, Epafrodito para o auxiliar nas suas necessidades. Infelizmente, Epafrodito sofreu uma doença quase fatal, fazendo Paulo decidir que seria melhor enviá-lo de volta a Filipos juntamente com essa carta.


Gratidão no Servir

“1. Paulo e Timóteo, servos de Cristo Jesus, a todos os santos em Cristo Jesus, inclusive bispos e diáconos que vivem em Filipos, 2. graça e paz a vós outros, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo”. (Filipenses 1:1-2)

Há dois tipos de pessoas, aquelas que escolhem estar felizes e aquelas que não. Paulo revela o seu segredo da felicidade e é interessante, pois se ele, preso e sofrendo poderia estar contente, quem não poderia? Podemos ver o talento que ele tem em observar suas igrejas e seu povo e forma que ele se lembrava de cada um deles.


Exemplo: O que vinha na mente de Paulo ao se lembrar da igreja...

- Coríntio? Um grupo de crentes que vinha lutando entre sí.

- Tessalônica? Aqueles que tinham grande esperança na volta do Senhor.

- Gálatas? Aqueles que precisavam de um entendimento mais claro sobre a lei.


Não tenho dúvidas de que quando Paulo pensou em seus amigos e companheiros em Filipos um grande sorriso apareceu em seu rosto.


Logo no primeiro versículo já é possível ver que Paulo e Timóteo se identificam e de uma maneira bem interessante que demonstra a forma com que eles se enxergavam em seu ministério, que é como? SERVOS DE CRISTO JESUS. Eles não se viam como grande lideres, eram apenas dois escravos felizes em servir ao Senhor junto com os santos, bispos e diáconos daquela cidade, mas quem são esses santos, bispos e diáconos descrito aqui? Poderíamos lembrar daqueles mencionados no início, como Lídia, o carcereiro e sua família, mas talvez nem Paulo conhecia todos a quem essa carta se destinava. Paulo não faz distinção entre eles, Paulo vai escrever essa carta de forma igualitária para todos eles.


Só nesses dois versículos que acabamos de ler, podemos tirar 3 lições práticas para as nossas vidas:

  1. Será que se essa carta fosse para nós hoje poderíamos realmente nos considerar como os santos de Filipos? Servindo a Deus de verdade? Lembre-se que aquela cidade havia passado por tempos difíceis e mesmo assim eram lembrados por sua alegria! Irmãos, quem nós temos servido? Como temos servido a Deus? Podemos nos considerar SERVOS DE CRISTO JESUS igual a que o apostolo descreve no inicio dessa carta?

  2. Paulo escreve também para os bispos e diáconos, lideres que estavam ali para ajudarem aquela igreja no que der e vier. Homens que também poderiam ser chamados de cooperadores, pastores, professores. Nossas igrejas tem alguém que realmente é nosso amigo, o Pastor! E devemos recorrer a eles nos momentos de dificuldades, pois eles são aqueles que velam por nossas almas enquanto dormimos, amém?!

  3. Paulo faz algo aqui que ele sempre faz em suas cartas, saúda a igreja com “graça e paz”, quer algo mais maravilhoso do que a Graça e a Paz de Deus em nossas vidas? Paulo está desejando algo tão profundo e maravilhoso e as vezes nem sequer percebemos o que isso realmente significa. Paulo quer que cada um entenda o que a graça de Deus realmente significa. Um favor imerecido!


Gratidão no Orar

“3. Dou graças ao meu Deus por tudo que recordo de vós, 4. fazendo sempre, com alegria, súplicas por todos vós, em todas as minhas orações”. (Filipenses 1:3-4)

Você viu o que Paulo disse aqui? “DOU GRAÇAS AO MEU DEUS POR TUDO QUE RECORDO DE VÓS”, Paulo não somente pensava nesses santos, bispos e diáconos de Filipos, ele estava dando graças a Deus por eles. Ninguém é capaz de dar graças a Deus sem reconhecer que tudo que acontece em nossas vidas, sejam coisas boas ou ruins, são permissões de Deus para o nosso crescimento. Deus é soberano, ele está no controle de tudo e Paulo sabia disso e confiava nisso, confiava na soberania de Deus!


Eu também gosto da forma com que Paulo se refere a Deus aqui, ele diz: “DOU GRAÇAS AO MEU DEUS [...]”, olhe que relacionamento lindo Paulo está testemunhando ter com Deus. Ele poderia ter simplesmente dito diferente, mas ele faz isso propositalmente, note o capitulo 4:19 que diz: E o meu Deus, segundo a sua riqueza em glória, há de suprir, em Cristo Jesus, cada uma de vossas necessidades”. Qualquer um pode se referir ao Deus de sua religião, mas somente alguém que realmente nasceu de novo, que se arrependeu de seus pecados e confiou somente em Jesus Cristo para a Salvação pode ser tão intimo ao ponto de se referir a Deus como Paulo fez! Será que nosso relacionamento com Deus está nesse ponto?


Vale lembrar que Paulo orava quando se lembrava daquelas pessoas, quem causa em nós esse impacto de sentir vontade de orar quando nos lembramos? Melhor ainda, será que nós temos causado esse impacto na vida de alguém? São lições preciosas que podemos retirar daqui irmãos e ao mesmo tempo lições tão simples que infelizmente esquecemos durante o nosso caminhar dessa vida cristã. Paulo orava com alegria, intercedendo por cada um daquela cidade.


Gosto bastante das palavras “sempre” e “todas” que Paulo usa no verso 4. Será que não gostaríamos de sempre dizer que oramos todos os dias? Será que não gostaríamos de sempre obedecer o tempo todo? Muitos de nós evitamos essas duas palavras, não é mesmo?! Meu desafio irmãos é que ao invés de sermos os cristãos as “vezes” e “talvez” sejamos como Paulo “Sempre” e “todo” Amém?!


Gratidão no Crer

“5. pela vossa cooperação no evangelho, desde o primeiro dia até agora. 6. Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus”. (Filipenses 1:5-6)

Acabamos de ler que Paulo dava graças a Deus com alegria ao lembrar dos filipenses e agora ele afirma que eles cooperavam no evangelho da mesma forma que eles vinham cooperando desde o primeiro dia, ou seja, CONSISTÊNCIA! Irmãos, Paulo está dando graças por uma igreja que nunca se desviou do seu propósito do evangelho, uma igreja que continuava firme participando, aceitando e acreditando na morte, sepultamento e ressurreição de Jesus Cristo.


Nos dias de hoje vemos pessoas que não tem a mesma consistência, muitos hoje “aceitam” o evangelho, mas rapidamente decidem abandoná-lo por achar, chato demais, difícil demais, complicado demais, fundamentalista demais. Mas sabe, Jesus Cristo fez mais que demais por nós para acharmos alguma coisa, precisamos entender que por mais que fazemos alguma coisa nunca será demais para nós, sempre será de menos, pois somos incapazes, somos fracos, somos nada!


A palavra COOPERAÇÃO NO EVANGELHO tem a ideia de compartilhar, ofertar, contribuir. E é verdade que aquela igreja vinha contribuindo com seu dinheiro com o apostolo Paulo em prol do evangelho, vinham contribuindo com sua fé e amor pelo próximo, vinham contribuindo com seus louvores a Deus ao se reunirem em varias casas tendo comunhão entre eles. Irmãos, é isso que é a igreja, compartilhar do tempo, do dinheiro e do seu coração aproximando uns dos outros com amor. É isso que Deus quer de nós.


Paulo estava certo de que a obra seria completa, não porque foi ele quem iniciou a obra, mas sim por Jesus Cristo ter iniciado essa obra. Paulo amava a alegria de viver com essa confiança. É como se ele dissesse: “Eu estou certo, confiante, completamente persuadido, convencido, positivo e não tenho dúvidas de que Deus está no controle, ele é DEUS!!!” Irmãos, por que confiamos em nós mesmos? Vamos admitir, nem de longe somos tão sábios ou inteligentes como Deus; nós, com toda a certeza, não somos fortes ou poderoso como Deus; nós somos incapazes de manter as coisas em controle como Deus; ENTÃO POR QUE NÓS TÃO CONFIANTES EM NÓS MESMOS? Salmo 118:8 diz: “Melhor é buscar refúgio no SENHOR do que confiar no homem”. E isso inclui você próprio! Lembre-se é de Deus a obra, é de Deus a sua vida, é de Deus a sua situação, Ele está no controle.


Gratidão no Amor

“7. Aliás, é justo que eu assim pense de todos vós, porque vos trago no coração, seja nas minhas algemas, seja na defesa e confirmação do evangelho, pois todos sois participantes da graça comigo. 8. Pois minha testemunha é Deus, da saudade que tenho de todos vós, na terna misericórdia de Cristo Jesus”. (Filipenses 1:7-8)

Em mundo cheio de ódio, o amor verdadeiro, aquele amor que provém de Deus, um amor piedoso, pode quebrar o coração mais duro. Se lermos esses versos com bastante atenção podemos retirar algumas verdades para refletir:


  • Amor verdadeiro, o amor que vem de Deus, envolve escolhas certas que resultam em sentimentos certos;

  • Amor verdadeiro, o amor que vem de Deus, vem do coração e não é hipócrita ou falso;

  • Amor verdadeiro, o amor que vem de Deus, não corre ou se esconde durante tempos difíceis da vida;

  • Amor verdadeiro, o amor que vem de Deus, é um derramar natural da graça de Deus sobre nós;

  • Amor verdadeiro, o amor que vem de Deus, nunca passa despercebido de Deus;

  • Amor verdadeiro, o amor que vem de Deus, é aquele amor igual ao que Jesus Cristo teve por cada um de nós e se entregou por nós na cruz do calvário.


Gratidão no Crescimento